A ÁRVORE DO BEM - PORTAL ESPÍRITA E FILOSÓFICO SAUDADE E ADEUS
Saudade e Adeus - Tatiana Madjarof Bussamra - Página Inicial

 

 Saudade e Adeus

 

A Árvore do Bem

 

   A chuva que cai lá fora

Água pura e cristalina

Não impede os nossos passos...

Nem o freio meio fraco

Tem poder de nos tirar

Do trajeto que seguimos.

 

Seguimos na direção

De um destino já traçado,

E mesmo não entendendo

O que ele nos reserva

Chegamos ao lugar certo

             Mesmo sem ter hora certa.

 

             Ao chegar àquela casa

             Bem diante do portão

             Encontro uma bela árvore

             Em forma de champignon

             Sem saber quem a podou

             E que ferramenta usou.

 

A árvore na calçada

É fruto da criação

De um Deus que é perfeito,

Nosso Pai, Mestre e Irmão.

Por isso mandou um “Papa

Pra proteger nosso chão.

 

Embora pareça estranho

Este caso que aqui conto,

É por certo bem real...

A árvore foi o sinal,

E o “Papa” o enviado

Pra livrar o bem do mal.

 

Agora que vocês já leram esta poesia, devo explicar algumas coisas que aconteceram...

Na noite de Natal de 2007, recebi em casa muitos parentes e amigos, dentre eles, estava o meu compadre, padrinho da Tatiana, que chegou em casa antes do anoitecer do dia 24/12, e chegou atrasado, pois seu carro estava com problemas no freio e, para piorar a situação, caía uma garoa fina.

Ao chegar a minha casa, estacionou seu carro, desceu, e olhou a árvore que eu tenho em minha calçada... De repente, ele olha pra mim e diz: Alguma coisa vai acontecer com essa árvore, aguarde e depois me conte..., e não falou mais nada. Não se tocou mais naquele assunto...

No dia 30/12, véspera de Ano Novo, ouço a campainha tocar, atendo o interfone, pergunto quem é, e uma voz masculina pergunta se eu queria podar a árvore.

A princípio, fiquei meio desconfiada, mas resolvi sair e atender. Ao abrir a porta da garagem, vejo um rapaz magro, com barba por fazer, roupas sujas, e uma pequena sacola em sua mão.

Comecei a conversar com ele, o João Paulo - daí a metáfora "Papa" que utilizei no poema -, e me sensibilizei com sua história, não importando se era verdade ou não. Disse que era de Santa Bárbara do Oeste, e que estava em São Paulo para trabalhar numa floricultura no bairro da Mooca, mas a floricultura havia dispensado seus serviços, assim, sem trabalho e sem dinheiro, estava fazendo bicos para poder comer, e quase que chorando, contou-me que na noite de Natal havia dormido numa calçada, próxima de um mercado aqui de casa, e a única coisa que comeu foi um panetone que ganhou de alguém que por ali passava.

Isso aconteceu por volta das 12:00 h. do 30/12, e minha mãe preparava o almoço, pois os padrinhos da Luciana estavam em casa para almoçar... O resto da turma? Bom, final de ano... Imaginem! Todos no Guarujá...

Voltando ao caso... Depois de muita conversa, ele me falou que o seu maior presente seria poder voltar para sua cidade e rever seus familiares e, principalmente, sua filhinha.

Fiquei emocionada com tudo aquilo e falei para ele podar a árvore, e imaginem que ele não tinha nenhuma ferramenta, somente um facão velho e sem corte.

Entrei em casa e contei toda a história, dizendo que deveríamos ajudá-lo. Meu compadre, padrinho da Luciana, que também é de Santa Bárbara do Oeste, saiu e foi ter uma conversa com ele... E aí nós percebemos que o que ele havia contado era verdade, pois meu compadre fez algumas perguntas e ele soube responder a todas elas.

Bom, estava decidida a ajudá-lo de qualquer jeito, e após ele podar a árvore, que ficou uma graça em forma de champignon, eu o convidei para entrar e tomar um banho, fazer a barba, escovar os dentes... Preparei toalhas, um kit de barba (que ainda eu tinha guardado da viagem do navio), escova de dente nova (sempre tenho algumas de reserva), pasta de dente, sabonete, bucha de banho, desodorante, um perfume masculino, uma camiseta, uma cueca que era do meu sobrinho, e meu compadre foi até a casa dele que é próxima a minha e trouxe calça jeans e mais algumas camisas...

Quando o rapaz saiu do banho, ele parecia outra pessoa. Nós o chamamos para sentar à mesa conosco, e almoçamos juntos. A felicidade daquele moço era luz em seus olhos.

Enquanto isso, eu já havia conversado com minha mãe, e falei que iríamos colocá-lo em um ônibus para Santa Bárbara do Oeste naquele mesmo dia, pois assim ele chegaria antes do Ano Novo.

Imaginem vocês... Todo mundo viajando em época de Ano Novo, e já estávamos pensando que não encontraríamos passagem. Minha mãe ligou para as duas companhias de viação que faziam esta linha, e por sorte nossa, ou melhor, por desejo de Deus, havia uma única passagem que conseguimos comprar por telefone, mas nós nem havíamos comunicado essa decisão para o rapaz.

Bom, quando perguntamos a ele, se ele queria rever sua família, e voltar para sua cidade, ele de imediato disse que seria um sonho, mas que não teria condições. Nós então falamos: Pegue sua mochila e vamos para a rodoviária! Ele não estava acreditando. Primeiro disse que não comia tão bem há tempos, e depois, essa emoção de encontrar pessoas que não tiveram medo de recebê-lo, colocá-lo dentro de casa, e ainda por cima iriam fazer isso por ele?

E foi tudo muito corrido, pois o ônibus sairia por volta das 17:30 h. daquela tarde. Peguei o carro, chamei minha mãe, e lá fomos nós rumo a Rodoviária do Bresser.

Chegamos! Deu tempo! Que bom! Era o que dizíamos naquela hora. Ainda dei um panetone e R$ 100,00 ao rapaz, que ficou mais emocionado ainda, mas eu disse que ele não poderia chegar à sua cidade de mãos vazias não é?

E ele embarcou... Feliz da vida...

E foi assim que escrevi esse poema, inspirada no rapaz que veio podar a árvore da minha calçada, e no que o meu outro compadre havia falado no Natal... Não sei se ele previu alguma coisa ou não, o fato é que tudo que ele falou aconteceu mesmo...

 

© Rosana Madjarof 2007 - Respeite os Direitos Autorais

 
Tatiana Madjarof Bussamra
Nasceu em 21/12/1982 em São Paulo – SP
Desencarnou em 04/02/2006 em Capivari de Baixo – SC
 
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Sandra Franzoso - Desabafos da Mente e do Coração - 28/02/2010 - 20:48 h.

Olá Rosana,

Eu vim conhecer seu novo Blog e fazer parte dos seus seguidores. Depois volto pra ler com atenção, pois estou um pouco sem tempo. Mal tenho visitado os blogs dos amigos ou mesmo postado nos meus.
Desejo grande sucesso pra você, querida!
Obrigada pelo convite pra conhecer seu espaço, tenho certeza de que gostarei. "I'll be back" rsrsrs.
Grande beijo!!!



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