O HOMEM TRISTE - MOMENTO ESPÍRITA - PORTAL ESPÍRITA E FILOSÓFICO SAUDADE E ADEUS
Saudade e Adeus - Tatiana Madjarof Bussamra - Página Inicial

 

 Saudade e Adeus

 

O Homem Triste

 

 

 Você passou por mim com simpatia, mas quando viu meus olhos parados, indagou em silêncio por que vagueio pelas ruas.

Talvez por isso apressou o passo e, ainda que eu quisesse chamar, a palavra desfaleceu na boca.

É possível que você suponha que eu desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati de porta em porta, em vão...

Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar o pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade.

Outros, desconhecendo que vendi minha melhor roupa, para aliviar a esposa enferma, me despediram apressados, crendo que fosse eu um vagabundo sem profissão.

Não sei se você notou quando o guarda me arrancou da frente da vitrine, a gritar palavras duras, como se eu fosse um malfeitor vulgar.

Contudo, acredite, nem me passou pela mente a déia de furto. Apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçar com fome, quando retorno à casa.

Talvez tenha observado as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando que eu fosse um bêbado, porque eu tremia, apoiado ao poste.

Afastaram-se todos com manifesto desprezo, mas não tive coragem de explicar que não tomo qualquer alimentação há três dias.

A você, todavia, que me olhou sem medo, ouso rogar apoio e cooperação.

Agradeço a dádiva que me ofereça, em nome do Cristo, que dizemos amar, e peço para que me restitua a esperança, a fim de que eu possa honrar com alegria o dom de viver.

Para isso, basta que se aproxime de mim sem asco, para que eu saiba, apesar de todo meu infortúnio, que ainda sou seu irmão.

*   *   *

Esta é a mensagem de um homem triste, quiçá como tantos que vemos perambulando pelas ruas.

É bem verdade que alguns são de fato pessoas que se comprazem na ociosidade.

Todavia, há os desafortunados que, apesar de trabalhar a vida toda, não puderam ajuntar moedas para o sustento próprio e da família e que, chegada a madureza, são condenados pela sociedade a viver como réprobos, embora sejam pessoas dignas.

É comum observarmos homens e mulheres puxando um carrinho de papéis e outros objetos recicláveis, para prover o próprio sustento.

São nossos irmãos de caminhada evolutiva que não têm coragem de viver da mendicância. Por isso trabalham com dignidade.

Muitos de nós, no entanto, nos enfadamos com essas criaturas que atrapalham o trânsito com seus carrinhos indesejáveis.

O que não nos damos conta é que, além do peso do carrinho, têm ainda que carregar sobre os ombros o peso da humilhação e do desprezo impostos por uma sociedade indiferente.

É verdade que todos nós estamos colhendo o que plantamos, e que aqueles que passam por essas situações precisam dessas experiências para crescerem espiritualmente.

Entretanto, são nossos irmãos, filhos do mesmo Pai­ Criador e merecedores sem dúvida, no mínimo, do nosso respeito.

Se não os podemos ajudar, que não os atrapalhemos jogando-lhes palavras amargas nem menosprezando-os, dificultando ainda mais a sua caminhada.

*   *   *

Muitas pessoas que hoje vivem na miséria já foram pessoas muito ricas em outras existências e vice-versa.

As Leis Divinas a todos nos reservam as lições que necessitamos para progredir.

E a lógica diz que aquele que é rico e esbanja sua fortuna em futilidades e em proveito próprio, precisa passar por necessidades materiais para aprender a valorizar os tesouros que Deus lhe empresta, a fim de que possa progredir.

 
Redação do Momento Espírita com base no cap. Mensagem do homem triste, pelo Espírito Meimei, do livro Ideal espírita, por Espíritos diversos,  psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. CEC.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 1, ed. Fep.
Em 11.01.2010.
 

   

 
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Assis Azevedo - Dihitt - 17/06/2010 - 17:43 h.

Minha amiga Rosana,

Excelente post. Uma oportunidade única para que os amigos possam refletir nessa mensagem que ergue a sua estima, no entanto faz acreditar em Deus. Que a luz brilhe nas casas daqueles que ainda estão envolvidos pela falsa idéia da matéria.
Que Deus a abençoe.

Abraços,

Assis Azevedo.


Fernandez - Orsty - 17/06/2010 - 18:04 h.

Olá amiga Rô!
Um texto muito interessante e tocante amiga Rosana.
Com certeza há pessoas levadas a situações de muita humilhação e algumas que se aproveitam e se tornam uma espécie de pedintes profissionais. Chega a ser triste algumas situações que nossa sociedade gerou.
Porém as pessoas que trabalham puxando carrinhos de papéis (como citado no texto) estão tentando exercer um oficio digno, e é preciso dar alternativas a estas pessoas, pois disposição eles tem de sobra.
Gostei da reflexão.
Forte abraço, Fernandez.


Lilian Candello Salvadori - Blog da Vovó Lili - 17/06/2010 - 18:32 h.

Olá querida amiga Rô,

Mais um texto magnífico que publica e nos leva a refletir e a nos chamar à realidade da vida.

Casos como esse acontecem diariamente e precisamos nos lembrar de que são nossos irmãos, nossos semelhantes e que Deus nos ordenou a "amar ao nosso próximo como a nós mesmos".

Não é fácil, amiga, mas com a ajuda de Deus, vamos amolecendo os corações e fazendo o possível para tornar mais suave a caminhadas desses desafortunados.

Parabéns pela brilhante postagem.
Carinhoso e fraternal abraço,
Lilian.


Josy Nunes - Banana com Farinha - 17/06/2010 - 20:10 h.

Oi, Rosana!

Amiga, mais um belo texto compartilhas com todos nós. Uma belíssima lição de que aqui estamos só de passagem para aprender, ensinar e evoluir e nada é nosso tudo nos é emprestado para que possamos em breve prestar conta de tudo que nos foi confiado.
Beijão no seu coração e fica com Deus.


Geraldo - Blog do Pharis - 17/06/2010 - 20:20 h.

Olá Rosana,

Este recado da Meimei mostra a crueldade da nossa sociedade quando as pessoas não são mais "úteis" e "produtivas". Merece nossa reflexão.

Abraço.


Lison Costa - Lison Online - 17/06/2010 - 21:34 h.

SAUDAÇÕES!
AMIGA ROSANA, mais uma super mensagem..., e esta é verdadeiramente belíssima e profunda, toca o coração e bate no portal da alma!
Parabéns por mais um magnífico Post !
Abraços,
LISON.


Silvana Marmo - Coordenadores Pedagógicos na Rede - 18/06/2010 - 01:17 h.

Olá amiga Rosana,
O que mais me preocupa não é a tristeza, mas sim a indiferença que assola o mundo atualmente, esta doença crônica que causa sofrimento e mata. Que a paz e a voz de Deus abram sempre nossas algemas, descruzem nossos braços, desanuviem nossos olhos, despertem nossa paralisia e movam-nos para o companheirismo, para a alegria da partilha, do afeto, da solidariedade e da construção de esperanças.
Meu carinho.


Jackie Freitas - Fênix - Mulheres Que Renascem - 18/06/2010 - 10:33 h.

Ro, minha querida!
Lindo texto! Nos faz refletir sobre as injustiças cometidas pelo julgamento das aparências...Infelizmente vivemos num mundo tão maquiado, tão cheio de disfarces. Criam tantas muralhas ao redor das pessoas que acaba ficando inviável enxergarmos a realidade do mundo de cada um. Se construíssemos mais pontes, quem sabe teríamos mais condições de acessar as pessoas e podermos ajudar de verdade. Amiga, de nada adianta querermos ser solidários, exercer a irmandade se as pessoas se fecham para receber até mesmo uma palavra de carinho. Cada um faz a sua parte e eu mesma tento, do meu modo, fazer também, mas vejo que os muros ainda estão altos demais e que infelizmente somos pregadores num monólogo...Triste isso, mas tenho fé de que um dia as mentes e corações se abrirão, que as muralhas cairão e que finalmente poderemos fazer ou ser homens/pessoas mais felizes e humanas!
Grande beijo, querida!
Jackie.


Beth Muniz - Travessia - 19/06/2010 - 11:18 h.

Oi Rosana,
Linda mensagem. É verdade. Se não podemos ou não queremos ajudar, pelo menos temos que ter a dignidade de não atrapalhar...
Mas, a melhor opção, para mim, é procurar sempre fazer alguma coisa que possa ajudar um ser humano.
Grande beijo.


           


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