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Saudade e Adeus - Tatiana Madjarof Bussamra - Página Inicial

 

 Saudade e Adeus

 

Vencendo o Desânimo

 

 

 O grande carro de luxo parou diante do pequeno escritório à entrada do cemitério e o chofer, uniformizado, dirigiu-se ao vigia.

Você pode acompanhar-me, por favor? É que minha patroa está doente e não pode andar, explicou. Quer ter a bondade de vir falar com ela?

Uma senhora de idade, cujos olhos fundos não podiam ocultar o profundo sofrimento, esperava no carro.

Sou a Sra. Adams, disse-lhe. Nesses últimos dois anos mandei-lhe cinco dólares por semana...

Para as flores, lembrou o vigia.

Justamente. Para que fossem colocadas na sepultura de meu filho. Vim aqui hoje, disse um tanto consternada, porque os médicos me avisaram que tenho pouco tempo de vida. Então quis vir para uma última visita e para lhe agradecer.

O funcionário teve um momento de hesitação, mas depois falou com delicadeza:

Sabe, minha senhora, eu sempre lamentei que continuasse mandando o dinheiro para as flores...

Como assim? Perguntou a dama.

O rapaz respondeu um tanto reticente:

É que... A senhora sabe... As flores duram tão pouco tempo... E afinal, aqui, ninguém as vê...

O senhor sabe o que está dizendo? Retrucou a dama.

Sei, sim senhora. Pertenço a uma Associação de Serviço Social, cujos membros visitam os hospitais e os asilos. Lá, sim, é que as flores fazem muita falta...

Os internados podem vê-las e apreciar seu perfume.

A senhora deixou-se ficar em silêncio por alguns segundos. Depois, sem dizer uma palavra, fez sinal ao chofer para que partissem.

Meses depois, o vigia foi surpreendido por outra visita. Duplamente surpreendido porque, desta vez, era a própria senhora que vinha guiando o carro.

Agora eu mesma levo as flores aos doentes, explicou-lhe, com um sorriso amável.

O senhor tem razão. Os enfermos ficam radiantes e fazem com que eu me sinta feliz. Os médicos não sabem a razão da minha cura, mas eu sei.

É que reencontrei motivos para viver. Não esqueci meu filho, pelo contrário, dou as flores em seu nome e isso me dá forças.

A Sra. Adams descobrira o que quase todos não ignoramos mas muitas vezes esquecemos. Auxiliando os outros, conseguira auxiliar-se a si própria.

*  *  *

Não é necessário visitar o túmulo dos entes queridos que partiram para levar o nosso carinho.

É que eles, definitivamente, não estão ali, onde foi enterrado o corpo físico, mas são como pássaros que deixaram a gaiola e voam livres.

Para que demonstremos o nosso afeto, basta que lhes enviemos as flores da nossa gratidão através do pensamento impulsionado pelos sentimentos de afeto que sempre nos nutriu e eles perceberão, onde quer que estejam.

Assim, a nossa visita ao cemitério será apenas para conservação e limpeza do lugar que serviu de aduana para a libertação do ser a quem tanto amamos e que continua vivendo.

 
Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v.4, ed. Fep.
Em 01.10.2009.
 

   

 
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Roniel A. Julio - Blog do Roni - 22/05/2010 - 20:29 h.

Amiga Rosana, eu sempre acreditei nisso, e nunca vou ao cemitério, pois bem sei que meus entes queridos não estão ali, e aquele local somente serve para guardar os restos do corpo físico que utilizaram nesta vida, e, por fim, somente os ossos ficam ali. Prefiro doar flores em vida, para dar vida e alegria às pessoas. Abraços. Roniel.
 


Maria - Como Ser Um Profissional de Sucesso - 22/05/2010 - 22:30 h.

Oi, Ro!
Que texto lindo. Serve de lição para muitos. Sabe, quando era voluntária de um hospital, eu via a alegria daqueles doentes quando eu chegava só para contar histórias e com um sorriso, e sei que quando ajudamos os outros, nós ajudamos mais a nós mesmo.
Bjs. no coração.


Lilian Candello Salvadori - Blog da Vovó Lili - 22/05/2010 - 21:23 h.

Olá querida amiga Rô,

Outra linda mensagem!

Leva-nos a refletir e perceber que todo o bem que fizermos a alguém resultará sempre em benefícios para nós mesmos.

Parabéns querida pelas lições de vida que nos apresenta.
Beijo no seu coração e que Deus sempre ilumine seus caminhos.
Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian.


Rosa Maria de Miguel - 02/06/2010 - 20:56 h.

Texto verdadeiro! Temos sim, que transformar as flores em pães! Assim, estaremos alegrando nossos entes queridos! Ao invés de enfeitar uma lápide com flores, vamos enfeitar um rosto com um belo sorriso! Os nossos entes queridos sorrirão também!!!!


           


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