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Saudade e Adeus - Tatiana Madjarof Bussamra - Página Inicial

 

 Saudade e Adeus

 

De Pai Para Filho

 

 

 O pai entrou de mansinho no quarto do filho que dormia tranqüilamente e falou como quem tinha muito a considerar:

─ Escute meu filho: digo isto, enquanto você dorme aí com a mão sob o rosto e os cabelos pregados na testa úmida.

─ Há poucos minutos, lendo o meu jornal, fui tomado de intenso remorso. Inquieto, vim para perto do seu leito.

─ Eis o que eu pensava, meu filho: fui implicante com você; repreendi-o quando se vestia para a escola e porque não lavara o rosto com cuidado.

─ Falei com aspereza por causa dos sapatos sujos. Gritei, zangado, quando deixou suas coisas no chão.

─ Ao café, de manhã, achei pretexto também para resmungar.

“Você derrama leite na toalha; devora em vez de comer; tinha os cotovelos sobre a mesa; punha manteiga demais no pão.”

─ E, quando saímos, você para brincar e eu para tomar o ônibus, você voltou-se, deu adeus com a mão e gritou: “até logo paizinho!” Fechei a cara e, como resposta, disse: endireite os ombros!”.

─ Depois, tudo começou à tarde. Quando vinha pela rua vi-o, de joelhos no chão brincando; suas meias estavam furadas: humilhei-o diante dos colegas, mandando que seguisse à minha frente, para dentro de casa.

“As meias são caras e se você tivesse que comprá-las teria mais cuidado” .

─ Imagine, filho, ouvir isso de um pai! - Lembra-se quando, mais tarde, eu lia na sala e você entrou timidamente, com um traço de mágoa no olhar? Levantei o jornal, impaciente pela interrupção, e você hesitou na porta. “Que é que você quer?” Rosnei.

─ Você não disse nada, mas correu pela sala e, num pulo rápido, atirou-se sobre mim, me abraçou, me beijou e os seus bracinhos me apertaram com o amor que Deus fez florescer no seu coração e que nem a minha negligência conseguia reprimir.

─ Bem, filho, foi pouco tempo depois disso que o jornal me escapou das mãos e o meu espírito se sacudiu por uma preocupação terrível: “que será de mim, se me escravizo a este hábito de viver xingando, estar sempre repreendendo?”

─ É a única recompensa que lhe dou por ser um menino sadio? Não é que não o ame; é que queria exigir demais. Media a sua juventude pelo gabarito da minha idade.

─ E há tanto de bom, de excelente e verdadeiro em seu caráter!

─ O seu pequeno coração é tão amplo como a própria aurora a descer sobre os morros.

─ A prova estava naquele impulso espontâneo de vir correndo para me beijar e me dar boa-noite. Nada mais vale esta noite, meu filho.

─ Vim para o lado de sua cama, na escuridão, onde me ajoelhei, envergonhado, como uma pequena penitência.

Sei que você não compreenderia estas coisas se eu as dissesse enquanto você estava acordado, mas amanhã serei um paizinho de verdade.

─ Serei mais que um amigo; sofrerei quando você sofrer; rirei quando você sorrir; morderei a língua quando me brotarem palavras impacientes.

─ Direi repetidas vezes, como uma oração: “ele é apenas um menino, uma criança”.

─ Receio e temo que o tenha tomado por homem. Entretanto, meu filho, contemplando-o agora, encolhido e cansado sobre a cama, convenço-me de que você é apenas uma criancinha.

─ Ainda ontem você dormia nos braços de sua mãe com a cabeça apoiada no ombro dela.

─ Pedi demais, pedi demais! Pense nisso! Aquele pai teve oportunidade de pedir desculpas ao filho por ter sido tão rude, mas, infelizmente, há tantos pais que só se dão conta disso depois que os filhos crescem ou partem para o mundo espiritual.

Pensemos nisso!

 

   

 
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Otavio Avendano de Vasconcellos - Preparando a Redação - 19/05/2010 - 22:03 h.

Grande verdade, devemos pensar sempre nisso. Não me importo de pedir desculpas a ninguém, ainda menos para minhas filhas. Ao mesmo tempo, sofro só em pensar que, por algum deslize humano, deixe de ser um referencial positivo no lar.


Madresgate - Poesias & Fatos - 19/05/2010 - 23:31 h.

"Menina"

A verdadeira leitura ocorre quando podemos interpretar um texto simples, mas que, contém a perfeita harmonia entre o acaso e a realidade.

Não podemos fechar os olhos para aquilo que cometemos e que custamos a entender que em diversas oportunidades agimos não por impulso mas sim por ignorância aos nossos conceitos e ensinamentos.

Ser pai não é uma tarefa como outra qualquer, Ser Pai é entregar-se ao descobrimento ao lado de seu filho, poder escrever a história dele com as mais nobres palavras, Ser Pai é poder aclamar ao mundo "Eu sou feliz e meu filho me ama", Ser pai é estar preparado e de braços abertos para ajudar o filho nas piores situações que ele possa se envolver.

O texto apresentado reflete muito bem a correria, o descuido, o descaso, a ingratidão, a falta de fé que muitos pais demonstram ao tentar "educar" seus filhos,A essência da família hoje foi deixada de lado para dar lugar ao ato desconforto de sermos surpreendidos por diversas agressões de pais contra seus filhos, é o fim do conceito maior de fraternidade e afeição.

A cada dia raramente presenciamos expressões de amor e carinho, mas certamente isto poderá mudar a medida em que os verdadeiros pais possam se conscientizar de que seus próprios filhos são seus maiores tesouros e que nada mais nesta vida vale o seu preço.

Sonhar pode ser um desejo, pensar é estar aberto a transformação, desejar pode ser possível, acreditar será um dom, AÇÃO é o que um filho espera de um Pai.

Emocionante seu artigo.

Que Deus a abençoe por tão nobre atitude em compartilhar conosco.

Um forte abraço.

Mad.


Sissym - Blog Zoom - Idéias da Fada Sem Fim - 20/05/2010 - 18:14 h.

Ro, eu me sinto como a Karine, Laura tem 09 anos, ela tem passado por situações que perdeu a noção de alguns detalhes, eu perco a paciência. Mas, Ro...., eu sempre digo a ela que detesto brigar com ela, que precisamos nos entender, ahhhh Ro..., não sei ser dura demais, eu sempre digo a ela que não suporto brigar com ela. Acho que isso ela nunca esquecerá.

Beijocas.


Luana Pessoa - 27/05/2010 - 14:27 h.

Muito obrigada! Eu estava precisando desta reflexão.



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