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Saudade e Adeus - Tatiana Madjarof Bussamra - Página Inicial

 

 Saudade e Adeus

 

Os Jardins

 

 
 

 É comum se associar a lembrança de uma pessoa a algo que a caracterize. Digamos, seja seu toque pessoal.

Dia desses, ao passarmos por um jardim cheio de cores vivas, fomos surpreendidos por uma frase partida dos lábios de uma senhora:

Um jardim tão bem cuidado me recorda minha avó.

A amiga que a acompanhava logo indagou do porquê.

A continuidade do diálogo, cujas frases nos chegavam com clareza, trazidas pela brisa mansa, nos surpreendeu:

Minha avó, dizia, passou sua vida a plantar flores. Recordo-me da infância e do bangalô de minha avó.

Quase não havia terra para plantar. A construção era nova e o local mais parecia um campo de batalha que as minas tivessem revolvido e deixado em total desalinho.

Pois minha avó não desanimou. Com pedras desenhou retângulos no solo, afofou a terra, preparou-a e plantou suas amadas roseiras. Jardins eram a sua marca registrada.

A senhora alongou o olhar na distância, como a revolver a saudade na terra do coração e prosseguiu:

Era uma pessoa excepcional minha avó. Já mais idosa, os filhos optaram por colocá-la em um apartamento. Mais segurança, diziam, menos trabalho. Afinal, eles temiam o peso dos anos naqueles ombros já não tão fortes.

Quando vi o apartamento, entristeci. Tinha uma varanda sim, mas nem sombra de terra, onde ela pudesse utilizar da sua mágica pessoal para transformar em um pedacinho de céu perfumado.

Pensei que ela iria murchar. Imaginei-a a fenecer, como flores ao sopro do inverno rigoroso ou sob o sol escaldante do verão.

Qual não foi minha surpresa ao visitá-la, alguns meses depois.

Levei-lhe um ramalhete de rosas multicoloridas, contando alegrar-lhe o lar.

Ela abraçou as rosas, agradeceu e seu rosto se iluminou como em êxtase.

"São lindas, querida. E perfumadas."

Depositou-as com cuidado sobre uma mesa, tomou-me pela mão e levou-me até à varanda.

Naquele minúsculo espaço, a terra gentil permitia brotar rosas de delicado perfume e graça. As mãos mágicas de minha avó haviam transformado um retângulo de cimento frio em uma nesga de paraíso florido.

Suas mãos acariciaram as flores qual se o fizessem a um filho querido. Depois, ela me reconduziu à sala, e mostrou um troféu. As flores de sua varanda haviam sido eleitas as segundas mais belas de toda a cidade.

*   *   *

Transformar a terra inculta em um oásis de beleza ou deixá-la entregue às ervas daninhas e espinheiros é opção pessoal.

Assim nos jardins das nossas vidas. Podemos ser indiferentes e ociosos, relegando tudo ao descaso, nada realizando de bom, de belo, de útil.

Ou podemos optar por semear flores de alegria, rosas de ventura. Quiçá apenas umas tímidas violetas de discreto perfume.

Contudo, não sejamos dos que erguem espinheiros. Tornemos-nos jardineiros cuidadosos a fim de que, pelas veredas por onde transitarmos, deixemos o perfume e a beleza das nossas ações.

*   *   *

Semeando estrelas, seremos convidados a espancar trevas.

Semeando esperanças, haveremos de nos tornar luzeiros para corações entristecidos.

Onde quer que estejamos, sempre poderemos semear as luzes do amor e da esperança.

 

Redação do Momento Espírita, com base no texto Os Jardins de Nossas Vidas,
publicado na Revista Seleções Reader´s Digest, junho.1998 e no verbete Sementeira,
 do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 27 .10.2009.

 

   

 
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Príncipe Encantado - Mensagem Para Nós Dois - 31/03/2010 - 12:44 h.

"Semeando esperanças, haveremos de nos tornar luzeiros para corações entristecidos".
Muito lindo amiga.
Abraços forte.


Isabel - Espaço Vida em Construção - 31/03/2010 - 13:25 h.

Que lindo texto. Não apenas lindo, mas de extrema profundidade. Não há como ler e não ser tocado.
Parabéns pelo post.
Bel.


Joselito - Jotabe Blog Blog - 31/03/2010 - 13:49 h.

Muitos dizem que somos o que comemos, mas, também somos o que plantamos, literalmente ou não.


Luísa - Artes e Manhas - 31/03/2010 - 13:59 h.

É linda a história Rosana!
Talvez por eu ser uma pessoa do campo, também a terra tem muita importância para mim e fazer crescer num pequeno vaso uma flor, é algo maravilhoso. Assim deveria ser sempre a nossa vida. Fazer crescer, sempre!

Beijinhos.
Luísa.


Lison - LisonOnline - 31/03/2010 - 14:01 h.

Que Post Fantástico!
AMIGA ROSANA, a história é belíssima repleta de vidas e encantos.
Ao término da leitura relembrei de minha avó. De tanto ela cuidar de rosas eu passei a gostar também. Todas as noites nos recolhíamos para fazer as nossas orações e sobre o pequeno altar estava um lindo bouquet de rosas exalando um perfume leve que invadia todo o meu corpo. O profundo zelo pelo jardim era mais que um sacerdócio. Por vezes fico a pensar o quanto nossos amigos idosos, principalmente do campo sofrem com uma mudança, vejo como uma violação que lhes atinge profundamente a alma.
Parabéns por mais um lindo post!
Abraços fraternos,
LISON.


Diego - Ultrapassando Barreiras - 31/03/2010 - 14:23 h.

Sabe Rô, o que faz me lembrar da minha vó é o perfume. Onde eu sentir, minha lembrança se volta pra ela.
Legal esse seu texto. E deve ter sido lindo o bangalô.
Bjs.


Gisela Barbosa - VastaMente - 31/03/2010 - 14:55 h.

Lindo texto, Rosana.

Mil beijos!


Valéria Braz - Sobre Tudo Um Pouco - 31/03/2010 - 15:02 h.

Querida amiga, devemos semear muitas flores em nossa vida, para que em nosso jardim possam pousar lindos pássaros...
Beijo no coração.


Biana Bac - Gifs da Bac - 31/03/2010 - 18:33 h.

Que texto maravilhoso.

A mensagem que ele transmite é maravilhosa!

"Onde quer que estejamos, sempre poderemos semear as luzes do amor e da esperança".

Obrigada por compartilhar!

Bjokas no coração,

Biana Bac.


Madresgate - Poesias e Fatos - 01/04/2010 - 02:55 h.

"Menina"

Ao passar por aqui, pude perceber o quanto suas palavras fizeram renovar meus pensamentos e me levarem de volta aos tempos de criança.
Confesso que não vivi em um pedaço de terra onde pudesse observar o cultivo de plantas ou mesmo qualquer outra planta que me deixasse feliz pela natureza existir.
Mas ao final da leitura deste belo texto, pude acreditar que tudo na vida é possível não importando tempo ou mesmo lugar.
A "história" é apenas uma fonte propulsora para que os pensamentos nos levem às ações benéficas em qualquer canto, mesmo que não tenhamos o lugar "ideal", ele se fará presente.
Vejamos que no texto esta linda "senhora" conseguiu determinar em sua longa vida a razão de seu "viver", pois, para ela as plantas eram o seu verdadeiro alimento para que a vida pudesse se renovar a cada dia.
É certo que a "velhice" um dia chegará, mas se não "semearmos" nossas atitudes ao longo da vida, o que teremos para "colher".
A lição de vida que pudemos hoje aprender com esta história, certamente nos fará repensar sobre nossos atos a cada dia.
Uma bela frase dita por meu pai sempre me motivou a acreditar que tudo é possível:
"O nascimento é o "semear" de nossos pais, O cultivo é a "educação e respeito" que recebemos deles, a "colheita" é o que da vida nos restou para que na velhice pudéssemos nos alegrar"
E desta forma, semear é o maior dom que recebemos.

Parabéns pelo lindo texto.
Um forte abraço.
Mad.



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