RETRATO DE UMA SAUDADE - A TRAJETÓRIA DO GUERREIRO DE 12 ANOS - PORTAL ESPÍRITA E FILOSÓFICO SAUDADE E ADEUS
Saudade e Adeus - Tatiana Madjarof Bussamra - Página Inicial

 

 Saudade e Adeus

 

Retrato de Uma Saudade Sem Fim - Parte I / III

A Trajetória do Guerreiro de 12 Anos:  Vitor Lovison do Amaral

Por Viviani (Mãe do Vitor)

 
 

NOTA: Amigos leitores do Saudade e Adeus, esta é a belíssima história narrada pela mãe do guerreiro Vitor, a Viviani, onde ela conta toda a trajetória de vida deste pequeno grande guerreiro Palmeirense, que lutou conta o câncer até seu último dia de vida, e como a história é um pouco extensa, preferi dividi-la em 3 partes para que vocês pudessem ler com mais calma, e para que a página não demorasse tanto para carregar.

 Apesar de grande, espero que todos vocês leiam até o final, pois é muito emocionante, além de ser uma grande lição de vida e um grande aprendizado para todos nós. (Rosana Madjarof)

 
 

VITOR LOVISON DO AMARAL - O GUERREIRO PALMEIRENSE Não é fácil voltar naquele dia e relembrar os momentos difíceis que passamos, pois nosso filho até então sempre teve muita saúde, nunca havia ficado internado antes, raramente ficava resfriado, era um menino esperto, muito bonito, alegre e inteligente. Jogava bola, jogava bocha na casa de seu avô, ia para a escola, era independente. Nós éramos uma família feliz com nosso casal de filhos (Vitor e Vivian) e sabíamos disso, mas, de repente, sentimos como se o chão tivesse saído de nossos pés...

Como foi tudo tão rápido, tivemos que ser fortes  para socorrer nosso filho no que era preciso, mesmo estando com o coração sangrando, precisávamos passar tranqüilidade e confiança que tudo ia ficar bem. Tivemos o apóio de nossa família  em todos os momentos difíceis. Na verdade, nós, no começo, achávamos que era uma dor do crescimento ou até mesmo que ele havia se machucado jogando bola com os primos no final de semana que estávamos todos reunidos na casa de minha irmã Vânia, por ocasião do aniversário de nossa sobrinha Ana Amélia, e ele havia jogado bola com os primos. Às vezes podia ter se machucado e não nos ter falado nada a respeito. Eu não imaginava que fosse algo grave, mas quem percebeu mesmo foi minha mãe, a avó Maria, que falou para eu levar o Vitor no pronto socorro e que não esperasse até sexta-feira, que era o dia que iríamos levá-lo no ortopedista em Piraju – SP.

No dia em que foi feito a ressonância em Bauru - SP e foi diagnosticado que era mesmo um tumor, choramos muito, mas longe do Vitor que estava com sua tia Léia na ambulância e que já retornava para Botucatu – SP.

Eu e meu marido estávamos no carro com nosso cunhado Fábio, esposo da Léia e nós três voltamos chorando para o hospital da UNESP de Botucatu, sem saber que o pior estava ainda por vir e, graças a Deus a tia Léia de nervosa ria e conseguiu distrair o Vitor que voltava de ambulância com ela.

Não é fácil para nós revivermos um capítulo tão doloroso em nossas vidas, como foi toda a trajetória da doença do Vitor, espero que nos compreendam. Para vocês terem uma idéia, o Vitor, após fazer a ressonância quis comer salgadinho e tomar guaraná, não tendo noção da gravidade de sua doença até então. Nosso sentimento então, do começo ao fim, foi de saber que infelizmente os pais não podem sofrer no lugar de seus filhos e nem dar a vida por eles, mesmo querendo.

Sentíamo-nos impotentes diante daquela doença, e mesmo se tivéssemos todo o dinheiro do mundo, não adiantaria para salvar nosso filho, pois ainda não existe cura para este tipo de tumor o qual o Vitor teve.

VITOR LOVISON DO AMARALHoje acordei com o pensamento cheio de lembranças de meu querido, amado e inesquecível filho. Mas antes de falar mais sobre ele, achei que deveria contar-lhes um pouco de mim e de como o Vitor chegou em nossas vidas, isto é, de seu nascimento, pois este mês (outubro) é o mês do aniversário deste grande guerreiro que, se estivesse aqui, estaria completando seus quinze anos de vida. Por isso achei que deveria falar sobre sua vinda para este mundo.

Na época eu tinha vinte e três anos e o Carlos trinta e três, nós namorávamos há apenas dois anos, mas estávamos muito apaixonados, sempre falávamos em ter filhos e o desejo do Carlos era ser pai. Apesar do Vitor não ter sido planejado, foi um filho que nós dois queríamos muito ter, e o amamos desde o exato momento que descobrimos que eu estava grávida em 17 de março de 1995. Sem contar que, no dia 03 de março, eu já havia feito um exame e tinha dado negativo e então ficamos muito tristes e, depois de 14 dias que repeti o exame, pois o Carlos me pediu que fizesse um exame de sangue, só então foi confirmada a gravidez para nossa alegria.  Neste mesmo ano, no dia 03 de junho de 95, nos casamos e o Vitor já estava com a gente, tive uma gravidez tranqüila e preparamos tudo com muito amor e carinho para sua chegada. Morávamos numa casa de aluguel que só tinha um quarto, e então o bercinho do Vitor era do lado de nossa cama e ele dormia pertinho de mim. Ah! Que saudade!

Bem, então como era meu primeiro filho, decidi que iria esperar para ver se o Vitor nasceria de parto normal. Chegando o mês de outubro já estava tudo pronto para a chegada do Vitor. Um mês muito bonito particularmente para mim, pois é o mês de Nossa Senhora Aparecida, o qual eu e meu marido somos devotos e, coincidência ou não, o Vitor sempre gostou muito de Nossa Senhora e sempre estava colocando suas fitinhas no braço e fazendo seus pedidos, principalmente no período de sua doença. É também o mês do dia das crianças e o aniversário de nossa cidade chamada Cerqueira César.

Na verdade, o Vitor estava previsto para nascer no mês de novembro, pelas contas do meu médico, mas o Vitor adiantou quinze dias. Lembro-me que comecei sentir-me mal uns quatro dias antes dele nascer, fui para o Hospital de Avaré, e até me prepararam para fazer o parto, mas ainda não era a hora e o médico me mandou de volta para casa e disse que era para eu prestar atenção aos movimentos do meu bebê, ou seja, do Vitor. Eu e o Carlos ficamos muito preocupados e, então, eu colocava um palhacinho que tocava musiquinha em cima da minha barriga para que o Vitor ouvisse e assim ele mexia e nós nos acalmávamos.

No dia 24 de outubro, passei por consulta médica e, então, foi colhido o líquido da placenta o que indicou que estava na hora do Vitor nascer. Fui internada para ganhar o Vitor de parto normal, mas eu não estava tendo dilatação, e o Vitor e eu começamos a sofrer, então a cesariana teve que ser de emergência, e foi assim que o Vitor nasceu no dia 25 de outubro de 1995, às 03h15min, pesando 2.950 gramas e com 46 centímetros. Nem pude ver ele direito, pois ele teve que ir rápido para o bercinho aquecido. Quase o perdi no dia que ele nasceu, mas sua missão ainda era um pouco maior e eu tive a benção de ter meu filho comigo por 12 anos e 11 meses. E é por isso que hoje vocês estão tendo a oportunidade de ler sobre meu filho Vitor, porque ele nasceu, viveu, foi muito amado, feliz, muito amou e muitas alegrias no deu, mas infelizmente sofreu com sua doença, a qual o levou tão cedo de nós, mas ele muito nos ensinou e uma grande lição de vida a todos deixou.

VITOR, VIVIANE, AMARAL E VIVIANUm detalhe muito especial foi que quando soubemos pela ultra-sonografia de que iríamos ter um menininho foi que o Carlos, mesmo antes do Vitor nascer, comprou para ele a camiseta oficial do Palmeiras. A camisetinha do Verdão ficava dentro do bercinho do Vitor a espera do pequeno Palmeirense. Vitor tem muitas fotos com esta camiseta que foi a primeira camiseta que ele vestiu. Sua irmã Vivian também já usou a mesma camiseta e, até a Clarinha que nasceu em 19 de janeiro deste ano de 2010, pode também vestir a mesma camiseta que seu irmão Vitor ganhou de seu pai, há quinze anos.

Como vocês podem ver, o nosso Vitor já nasceu Palmeirense e suas irmãs também.

Com todo o meu amor e carinho de mãe, escrevi estas palavras com o coração cheio de afeto e saudades, de um tempo que nos foi tão especial e que, nem mesmo a distância e a morte do corpo físico de meu filho (porque acredito que o espírito dele está vivo, esteja onde estiver, estará sempre ao meu lado para me dar forças a continuar a minha missão de mãe), poderá apagar ou fazer-nos esquecer do imenso amor que sentimos um pelo outro.

Foi com o Vitor que me tornei mãe pela 1ª vez, e foi com ele que aprendi a ser mãe, tendo a certeza que fiz o melhor que pude, procurando sempre passar bons princípios e valores para ele, ensinando a respeitar, desde pequeno, os animais, os mais velhos etc. Tendo sempre respeito pela vida. Éramos felizes com coisas simples, como brincar em um parquinho, ir à prainha, tomar café e almoçar na casa da vó Maria e brincar com seus primos no quintal da casa de sua avó e avô Zé, e também de ir pescar com seu pai e avô Zé.

Também, sempre rezávamos juntos antes de dormir, uma oração para o anjo da guarda dele.

Como havia contado anteriormente, quando o Vitor nasceu foi direto para o bercinho aquecido, pois ele estava com dificuldade para respirar, havia engolido um pouco da sujeirinha durante o trabalho de parto. Ele ficou com sua testinha um pouco roxa ao nascer, mas graças a Deus ele ficou bem e viemos para casa, e o Vitor crescia com muita saúde. Ele era um bebê tranqüilo e muito feliz. Vitor mamou no peito até dois anos e dois meses de idade.

Quando o Vitor nasceu eu parei de trabalhar fora, pois eu trabalhava como fotógrafa, mas era funcionária e não ganhava muito, então não compensava continuar trabalhando, e também eu mesma queria cuidar do Vitor. Eu mesma fazia sua papinha e cuidava dele em tempo integral com a ajuda do Carlos que sempre foi um super pai, muito presente e participativo. Mesmo assim, continuei a tirar fotos de alguns eventos, trabalhava por conta e então era o Carlos quem olhava o Vitor para eu sair e fotografar.

VITOR LOVISON DO AMARALPor ironia do destino, eu sempre tirei muitas fotos dos meus filhos. Registrava tudo, tudo mesmo. Cada momento, cada sorriso e até seus machucados.

Ah! Eu conheci o pai do Vitor, meu marido, numa cerimônia religiosa enquanto eu fotografava um casamento, ao qual ele foi convidado. Tenho certeza que foi Deus que nos uniu para trazer ao mundo nosso filho Vitor, um espírito de muita luz e muita sabedoria.

Eu sabia que o Carlos seria um bom pai, pois ele gostava muito de crianças e brincava muito com meus sobrinhos. O Carlos ganhou até o apelido de “Tio Bichão” por causa dos bichos que imitava quando brincava na piscina com as crianças pequenas da família, na época em que namorávamos. O Carlos sempre foi e é um super pai.

Bom, outro dia em conto mais sobre nós e nosso começo de vida a três, ou seja, eu, o Carlos e o Vitor. Afinal tenho certeza que este realmente é um tempo que o Vitor gostaria muito de reviver, um tempo que ele tinha muita saúde, corria, brincava, jogava bola e era muito feliz. Quem não quer reviver algo tão bom, não é mesmo! E confesso, sinto mais alegria em escrever sobre este tempo que nos foi e ainda nos é tão precioso. Dizem que recordar é viver, então eu vivo, ele vive. Certo!?

O ano de 2007, antes da doença do Vitor!

Vamos lá...

O ano de 2007 tinha tudo para ser um ano cheio de alegrias e realizações.

VITOR E VIVIANFérias! Em janeiro de 2007 levamos as crianças para passear em Bauru, e fomos ao shopping e ao zoológico pela primeira vez. Chovia muito e a viagem em si foi uma aventura. Nesta época tínhamos um fusquinha verde e durante a viagem entrava água dentro dele, e o Vitor e a Vivian tinham que ir com os pés em cima do banco do carro para não se molharem, sem contar que o Carlos errou o caminho e por isso a viagem ficou mais longa.

Levamos as crianças ao MacDonald´s e ao Habib’s. Fomos ao cinema juntos pela primeira vez e assistimos ao filme “Por água abaixo”, onde demos boas risadas. O Vitor estava já com seus 11 anos e a Vivian prestes a completar seus 8 aninhos em fevereiro de 2007.

Em 2007 foi o ano em que estávamos melhor financeiramente.

Desde 2005 eu comecei a vender lingerie, mas eu era comissionada, então resolvi que já era hora de me tornar independente, e é por isso que também fomos à Bauru neste dia para que eu fizesse minha 1ª compra de lingerie da marca Provence. Neste dia o Vitor e a Vivian também estavam comigo. Sei que voltamos de Bauru bem a noitinha, e o Vitor e a Vivian dormiram no banco de trás do fusquinha. Eu e o Carlos olhamos um para o outro e nos sentimos emocionados por vê-los tão felizes, embora estivessem cansados. Naquele momento, olhando para os nossos filhos, sentíamo-nos muito abençoados por Deus, e sabíamos o quanto éramos felizes.

Realmente aquele dia foi muito especial para eles, e principalmente para nós pais, por poder proporcionar-lhes esta viagem.

O Vitor e a Vivian também brincaram muito no parquinho do shopping, e eu para variar tirei muitas fotos deste dia inesquecível.

2007 também foi o ano em que o Vitor e a Vivian foram para São Paulo, na casa de seus primos Daniel e Ana Amélia, e de lá eles foram para a cidade litorânea de Santos, onde iriam conhecer a praia pela 1ª vez.

Também foi a primeira vez que eu e o Carlos ficamos longe das crianças.

Minha irmã Vânia, ou melhor, a tia Vânia mora em São Paulo, ela é médica pediatra, e foi ela quem ficou com o Vitor na UTI na 1ª noite, depois que ele saiu da cirurgia. Quando ele acordou da anestesia ele pediu uma coca-cola, mas ele ainda não podia beber nada.

VITOR LOVISON DO AMARALBem, quando as crianças me ligaram dizendo que estavam na praia, eu e o Carlos ficamos emocionados e gratos à minha irmã Vânia, ao meu cunhado Beto e aos meus sobrinhos Aninha e Daniel, por proporcionar aos nossos filhos aquele momento tão especial e feliz. Pena não estarmos lá para vermos suas carinhas de felicidade.

Eles voltaram para casa cheios de fotos e presentes para nós. Trouxeram também areia e conchinhas da praia de Santos.

Foi, sem dúvida, mais uma viagem inesquecível para eles. É só ver as fotos que a gente não tem dúvidas disto.

Em 2007 o Vitor estava fazendo a 6ª série do primeiro grau, na Escola Professor José Leite Pinheiro e era muito querido pelas professoras, em especial pela Professora de Português chamada Benedita.

Vitor estava tendo um pouco de dificuldade com sua letra, ele sempre falava que a letra dele era feia e a professora pedia que ele melhorasse. Não sei ao certo, mas talvez já fosse reflexo de sua doença.

Um dia, quando fui buscar o Vitor na escola e dei carona para seu amigo Wesley, o Vitor reclamou que o professor de Educação Física deu um exercício muito difícil e que doeu suas costas, e então o Wesley disse que ele também sentiu dores. Esta foi a primeira vez que me lembro do Vitor se queixar de dores nas costas. Lembro-me que disse ao Vitor que da próxima vez que o professor mandasse fazer este exercício, ele não fizesse, explicando o porquê.  Então, somente depois, quando o Vitor começou a reclamar novamente e passado alguns dias, foi que eu assimilei tudo. Era o tumor que o Vitor tinha que causava as dores, o tumor devia estar crescendo e comprimento sua medula.

VITOR E VIVIANIComo uma mãe como eu, tão zelosa, não percebi antes! Até hoje me faço esta pergunta.

Segundo minha irmã Léia, se nós tivéssemos descoberto antes o tumor do Vitor, isto é, antes dele começar a ter dor, o Vitor só teria sofrido mais.

O Vitor estava magrinho, mas como ele sempre foi magro, e eu e o Carlos também, quando crianças, achamos normal.

O Vitor se alimentava bem para a idade dele. Pelo menos eu achava. Ele sempre gostou de frutas e sua verdura preferida era alface. Quando pequeno, mais ou menos quando tinha 1 ano e meio, ele comia até quiabo.

Sempre tivemos em casa muitas frutas e verduras. Aliás, nossa horta feita pelo Carlos, foi uma condição imposta pelo Vitor quando mudamos para nossa casa própria em 1999. O Vitor disse que só se mudaria se seu pai fizesse uma horta no quintal da nossa casa nova, e é claro que o Carlos fez, e a nossa horta existe até hoje. O Vitor tinha somente 4 anos quando fez este pedido.

Nossas verduras sempre foram plantadas sem agrotóxicos, ou seja, verduras orgânicas.

Teve uma época que tínhamos bastante verdura e era comum o Vitor com sua bicicletinha verde sair vendendo alface para a vizinhança, sua irmã Vivian também o ajudava. O dinheirinho era dividido para eles ou colocado em nosso cofrinho. Tempos felizes!

Sinto que devo escrever sobre nossa vida, sobre o Vitor principalmente, e o tempo em que ele esteve com a gente e tinha muita saúde.

Obrigada por nos permitir tudo isto.

No dia 28 de abril foi diagnosticado o tumor que o Vitor tinha; um tumor na medula. Era um sábado e chegamos ao Hospital da UNESP em Botucatu - SP à noitinha, e eu fui para o quarto do hospital com meu filho Vitor, e logo em seguida vieram os médicos da neurocirurgia falar comigo.

Neste momento eu estava sozinha com o Vitor, estava neste quarto desde sexta-feira (27/04/2007), dia em que o Vitor foi hospitalizado pela 1ª vez. Neste quarto ficavam mais crianças também. Era um quarto tipo pré-atendimento, um lugar onde a gente ficou até descobrir o que o Vitor tinha. E então, como estava dizendo, os médicos da neurocirurgia vieram me falar a respeito de como seria a cirurgia, do tempo que iria demorar, do risco que o Vitor correria,  e também de suas prováveis seqüelas. Meu Deus! Eu ouvi tudo aquilo de pé, isto mesmo, eu estava de pé, sozinha e passada com tudo o que estava acontecendo. Neste instante meu mundo desabou.

Vi a gravidade da doença e já temia a perda de meu filho. Não tinha outro jeito, diante dos fatos autorizei que fizessem a cirurgia a qual foi marcada para o dia 29/04/2007, um domingo, e começaria pela manhã.

Como a vida nos prega cada peça!

Lembro que neste dia 29/04/2007 iria ter um churrasco da turma do futebol, o qual o Carlos fazia parte, ele era o goleiro do time e o Vitor sempre o acompanhava nos jogos, sendo seu gandula. Neste dia, os dois, o Vitor e o Carlos, iriam participar de um churrasco de confraternização com o pessoal do futebol. Tinha tudo para ser mais um final de semana feliz.

VITOR, VIVIAN E AMARAL PAILembro-me também que, o Vitor estava esperando ansioso e feliz para o campeonato de pesca que iria ter no dia 01/05/2007 em nossa cidade, em comemoração ao Dia do Trabalho. Este campeonato sempre ocorreu em nossa cidade por conta desde 01/05, e sempre levávamos as crianças e eles adoravam ver os peixes. Quem pescasse o peixe maior, menor, mais pesado e maior quantidade, recebiam troféus e presentes (vara de pesca, molinete etc.). Também vendiam sorvetes, salgadinhos, churrasquinho e refrigerantes neste evento, e o Vitor adorava tudo isto. Coisas que crianças e adultos também gostam. Era um clima de muita festa, encontrávamos amigos e batíamos papo.

Por isso a preocupação do Vitor em ser operado naquele final de semana, pois ele iria perder o campeonato de pesca, e também o churrasco com o pessoal do futebol.

Vitor estava medicado e por isso não tinha dores e, apesar de tudo, ele estava tranqüilo e explicamos a ele sobre sua cirurgia com calma, mas lhe falando que tudo iria ficar bem e que ele estaria dormindo e não sentiria nada, e assim que tirassem o tumor que estava em suas costas, ele não iria mais sentir dores.

Antes mesmo de o Vitor ser operado, ele já estava perdendo os movimentos de sua perna direita, quase não conseguia mais andar por falta de equilíbrio. A princípio, Foi o lado que o tumor começou a prejudicar, no começo de tudo.

VITOR LOVISON DO AMARALNo sábado, dia 28/04, minha irmã Vanda, que mora em Avaré, veio para Botucatu junto com seu marido Marcelo, meu cunhado de apelido “Turco”, assim que soube da gravidade da doença do Vitor e que ele seria operado. Ela veio para ficar comigo naquela noite de sábado, antes da cirurgia. Na primeira noite em que o Vitor ficou hospitalizado, em 27/04, fui eu quem dormiu com ele. Lá as mães e os pais que ficam com seus filhos, dormem sentados em cadeiras em péssimas condições (quebradas). Fico revoltada em saber que os deputados e senadores usufruem de melhor conforto do que os pais que estão com seus filhos nos leitos dos hospitais.

Também neste mesmo dia (28/04), foi o Carlos quem dormiu com o Vitor no Hospital, e no dia seguinte, pela manhã, eles foram colocados em um quarto na enfermaria da pediatria com outras crianças que lá estavam internadas. Eu e minha irmã Vanda, tínhamos ido dormir na casa da minha prima de 2º grau, na casa da Vera e do Wanderley, os quais o Vitor chama carinhosamente em sua historinha de “mãezinha” e “Luxemburgo”, apelidos que o Vitor colocou carinhosamente e merecidamente neles, pois a Vera era uma mãe para nós, e o Wanderley se parece com o Luxemburgo, que na época era técnico do Palmeiras. Eles nos ajudaram muito neste e em outras épocas, pois ficamos na casa deles por várias vezes quando o Vitor era hospitalizado, porque no Hospital da UNESP só podia dormir uma pessoa com o Vitor, então, quando o Carlos dormia no hospital, eu ficava na casa deles e vice-versa.

A Vera (mãezinha) e suas irmãs Vilma e Vanda (irmã da Vera), perderam sua mãe com câncer, minha tia Lola (tia de 2º grau). Por isso elas sabiam o que eu e o Carlos estávamos passando, elas nos deram muita força durante o período da doença do nosso guerreiro Vitor.

Quando cheguei ao hospital, na manhã do dia 29/04/2007, o Carlos já havia dado banho no Vitor e já tinha vestido ele com a roupa que iria para o centro cirúrgico.

Vendo meu filho com seu lindo cabelinho preto molhado, com um sorriso nos lábios, e o Carlos ao seu lado, senti uma emoção muito forte que só meu coração de mãe pode descrever. Olhei-os, e sabendo dos riscos que meu filho correria na cirurgia que iria se realizar, pedi a Deus que o protegesse e que não o levasse de mim.

Não queria me lembrar deste dia e daquela cena... Pai e filho juntos naquele quarto de hospital, num domingo que tinha tudo para eles estarem se divertindo no churrasco com o pessoal do futebol. Neste momento que escrevo, meus olhos enchem-se de lágrimas e a saudade de meu filho torna-se mais forte, e o amor que sinto pelo Carlos, meu marido e pai dos meus filhos, tornou-se mais forte também,  pois com todo amor e carinho, ele cuidou  e me ajudou a cuidar do Vitor em todos os momentos de sua curta vida.

VITOR LOVISON DO AMARALNossa família, meu pai e minha mãe, a mãe do Carlos, a Geni tia do Carlos, mais a irmã do Carlos, a Ana Lúcia e seu marido Marcel, minha irmã Vânia e meu cunhado Beto, minha irmã Vanda e meu cunhado Marcelo, a Vera (mãezinha) e o Wanderley (Luxemburgo), e a nossa filhinha Vivian, estavam todos conosco na sala de espera da UTI enquanto o Vitor estava sendo operado naquele dia tão difícil para todos nós, e que mudou todos os sonhos que tínhamos para o Vitor. Tenho certeza que Jesus também estava presente em nossas vidas naquele momento tão difícil, senão, não teríamos sidos todos tão fortes. Durante a cirurgia, a cada hora, eles nos traziam noticiais de como estava nosso filho, e se a cirurgia estava transcorrendo bem.

A cirurgia durou oito horas e, quando terminou, me lembro que o médico cirurgião veio falar comigo e com o Carlos e, neste momento, todos os nossos familiares acima citados estavam conosco, inclusive nossa filha Vivian. Ele disse que tinham conseguido tirar 98% do tumor, mas que nós voltaríamos para casa com um bebê, usando fraldas e sem poder andar, ele também falou que ia depender muito da recuperação do Vitor e que isto ele não podia prever, somente com o passar do tempo para se ter certeza se o Vitor iria se recuperar ou não, isto é, voltar a andar. Ouvimos atentamente suas observações, com lágrimas nos olhos. Para nós andar seria o de menos, mas é lógico que não foi fácil para todos nós ouvirmos aquelas palavras, vindas de um médico, a respeito de nosso filho que já estava se tornando um homenzinho e que adorava correr, andar de bicicleta, subir em árvores e principalmente jogar futebol, pois ainda não sabíamos se aquele tumor que havia sido retirado era benigno ou maligno e, se poderia voltar novamente. Conclusão: O pior estava por vir e, eu e o Carlos, não sabíamos ainda a gravidade da doença de nosso filho querido e amado Vitor.

Obs I:- Peço desculpas se me esqueci de alguém que estava com a gente naquele dia da cirurgia do Vitor. Confesso que não me lembro muito bem daquele dia, pois estava muito nervosa com tudo o que estava se passando, e também deram calmante para mim e para o Carlos  tomarmos.

Obs II:- Quem não pôde estar com a gente lá em Botucatu, ficou rezando e torcendo para que tudo desse certo com o Vitor durante e depois da cirurgia.

Continua...

Viviane.

 

Se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarão muito felizes.

E-mail de Viviane e Carlos - Pais de Vitor

 

   

 
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